Mais que isso: em poucos anos, existirá um departamento de
design em sua empresa! Não entendeu? Com o Marketing, aconteceu
de modo parecido… Pensando hoje, é inconcebível que alguma empresa mais
estruturada não possua um departamento de Marketing. Na maioria dos casos, o
Marketing tem um papel central dentro da organização, não é? Mas nem sempre foi
assim!
Há pouco mais de três décadas, muitas empresas, no Brasil, ainda
não tinham departamentos de Marketing, e os profissionais dessa área
frequentemente eram mal compreendidos. Denominar alguém de marqueteiro era
pejorativo e, muitas vezes, usado como sinônimo de enganador, alguém que nos
faria comprar algo de que não precisávamos.
Como disse anteriormente, isso mudou bastante, e não cabe aqui
escrever como e por que, ao longo dos últimos 40 anos, o Marketing foi, aos
poucos, reconhecido e valorizado. Meu objetivo é alertar que o mesmo acontecerá
com o design. E se você ou a sua organização ainda não se deu conta disso, é
melhor abrir os olhos.
Na verdade, as empresas nascidas na era digital, em especial as
mais recentes, como Apple, Google, Facebook, Amazon e as de telecom, como
Nokia, Samsung, ou Motorola, já possuem departamentos de design. Não estou me
referindo a departamentos para desenvolvimento formal e funcional dos produtos,
senão poderíamos incluir aí muitas empresas do início do século XX, como as
automobilísticas por exemplo. Refiro-me às empresas que fazem uso do design
como parte essencial das suas estratégias de marca, pesquisando novas
tendências e futuras necessidades do mercado para o aprimoramento de processos ou
reposicionamento de produtos e/ou serviços.
Para interpretar a percepção das pessoas com relação aos
produtos ou serviços e identificar novas necessidades, exige-se um olhar
multifacetado, em especial para o futuro que, na maioria das vezes, ainda está
indefinido. Para isso, as empresas precisarão de áreas com abordagens
diferentes: uma voltada objetivamente para o presente e outra idealizando
futuros possíveis. Ouso dizer que a área que olhará para espaços que ainda não
foram ocupados será o departamento de design.
O Marketing continuará vital para o negócio, cuidando da
operação geral e identificando oportunidades de mercado, enquanto o
departamento de design buscará as tendências e mapeará os movimentos
comportamentais, integrando-os às novas possibilidadestecnológicas, tanto
para o aprimoramento das ofertas existentes como para o desenvolvimento de
novas. O novo paradigma está na velocidade da ressignificação das coisas.
Atualmente, os produtos não morrem porque deixam de funcionar, mas porque
perdem o seu sentido para a nossa vida.
Os resultados econômicos para empresas que usaram o design como
parte de suas estratégias são nítidos. Veja como a Nestlé, com forte ajuda do
design, fez a marca Nespresso ocupar instantaneamente uma posição de ponta no
mercado do consumo de café. Com equipamentos (máquinas maravilhosas, limpas
e fáceis de usar) e abastecimento (cápsulas lindas que mais parecem bombons),
criaram um ciclo virtuoso que transpôs um simples cafezinho para a categoria
luxo! Explorando a cadeia da experiência de ponta a ponta, a Nespresso
ressignificou o que antes era um produto popular e de baixo valor.
No Brasil, o entendimento do design ainda não vai muito além de
atuar nos elementos formais e, com isso, deixar as coisas atraentes para os
consumidores, o que revela o nível de imaturidade de grande parte das empresas
brasileiras. Em países onde o design é adotado há mais tempo e como parte
integrante da estratégia da marca, classificam-se as organizações em quatro
estágios de maturidade (the design latter): as que estão no nível mais baixo e
ainda não usam design; as do segundo nível, que usam o design apenas como
ferramenta embelezadora; as que estão num patamar um pouco mais alto,
entendendo o design como um processo transversal; e as que estão no nível mais
avançado e utilizam o design como parte essencial da estratégia do negócio.
Muitos países possuem programas governamentais que estimulam a
compreensão e a adoção do design como elemento fundamental para os resultados
dos negócios, fazendo-o ser parte da visão estratégica para o desenvolvimento
comercial de nações como Dinamarca, Coréia do Sul ou Reino Unido. A Coréia do
Sul, por exemplo, fez, nos últimos anos, grandes investimentos em formação
profissional, apoio e financiamento às empresas. Está promovendo um rápido
crescimento do design no país e influenciando outros países da região, como China
e Japão. Exemplo: a Samsung, com o apoio do governo coreano, mudou seu foco e
deixou de ser considerada uma empresa que copia para ser avaliada como a quinta
maior geradora mundial de patentes, atrás da IBM e da Cannon, mas na frente da
Sony e da Hitachi. Parafraseando o que Margareth Thatcher, primeira-ministra do
Reino Unido, disse em 1987: “Design or decline!”.
Mais cedo ou mais tarde, a sua empresa vai investir seriamente
em design, e se ainda não despertou para as vantagens de conduzir sua gestão
baseada em estratégias de design, está na hora de subir os degraus dessa
escada. Os dias de competição por preços estão contados, especialmente quando
países da Ásia estão produzindo produtos cada vez mais baratos. Para marcas
serem competitivas no futuro, terão que basear o sucesso no design, na
inovação, na criatividade, na exploração da tecnologia e na rapidez em
responder às mudanças de mercado.
Se você ainda tem dúvidas de que investir em design é
importante, leia o que Bob Hayes, professor da Harvard Business School,
afirmou: “Há 15 anos, as empresas competiam em preços. Hoje competem em
qualidade. Amanhã competirão em design”.
Postado por Ricardo Leite - 15/03/2012
Mundo do Marketing
Enviado por Alexandre Alberto Weimer / O2 multicomunicação

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